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A Força das Boas Histórias: O Sucesso de “Nosso Destino” e a Nova Era do Cinema Sul-Coreano

A Coreia do Sul continua provando que uma narrativa cativante é o grande motor da indústria do entretenimento atual. Seja nas plataformas de streaming globais ou nas telonas locais, as produções que priorizam roteiros bem amarrados e atuações de peso estão ditando as regras do jogo. Um exemplo claro dessa força é o dorama “Nosso Destino”, que prende a atenção do público ao misturar fantasia e romance, enquanto, paralelamente, o mercado cinematográfico do país experimenta uma revitalização surpreendente neste início de 2026 calcada exatamente na mesma premissa: histórias de qualidade importam mais do que orçamentos colossais.

Magia e romance no streaming

Misturando fantasia, comédia e muito romance, “Nosso Destino” acompanha a rotina de Lee Hong-jo (interpretada por Cho Bo-ah). Ela é uma funcionária pública exausta e entediada, que sente que absolutamente nada de interessante acontece em sua vida. Tudo muda de figura quando ela esbarra em um livro de feitiços de 300 anos. Sem saber o real poder do que tem em mãos, Hong-jo decide testar um encanto para atrair um homem que não corresponde aos seus sentimentos. O problema é que a magia é real, e a situação foge totalmente do controle.

O feitiço acaba cruzando o seu caminho com o de Jang Shin-yu (Ro Woon), um advogado brilhante, bem-sucedido e atraente, mas que esconde um fardo pesado. Ele sofre com uma doença progressiva causada por uma maldição que assombra sua família há várias gerações. Por uma ironia do destino, o antigo livro sob a posse da servidora contém a provável cura que pode reverter os sintomas do advogado. Enquanto correm contra o tempo para quebrar o feitiço que adoece Shin-yu, os dois se envolvem em uma série de confusões no trabalho e na vida pessoal. Naturalmente, essa proximidade forçada acaba dando espaço para o desenrolar de um romance. O drama possui 16 episódios, de aproximadamente uma hora de duração cada, e está disponível na Netflix. O elenco traz ainda nomes conhecidos como Ha Jun, Yura, Lee Tae-ri, Kim Kwon, Park Gyeong-hye e Lee Bong-ryun.

A retomada das bilheterias em 2026

O mesmo apelo por histórias profundas que faz produções televisivas brilharem está causando uma verdadeira revolução nos cinemas da Coreia do Sul. Especialistas do setor apontam que a indústria cinematográfica já vê uma recuperação expressiva neste começo de ano. O motor dessa retomada deixa de lado os grandes blockbusters, que antes dominavam o mercado, para dar espaço aos filmes de médio orçamento.

O grande destaque do momento é o drama de época “The King’s Warden”. Dirigido por Jang Hang-jun, o longa dominou o feriado do Ano Novo Lunar, ultrapassando a marca de 4,17 milhões de ingressos vendidos até esta última quinta-feira. Feito com um orçamento na casa dos 10 bilhões de won (cerca de 6,9 milhões de dólares), o filme já cobriu seus custos de produção com facilidade e desponta como a maior bilheteria lançada neste ano.

Emoção que lota as salas

Outro sucesso incontestável é o romance “Once We Were Us”, estrelado por Mun Ga-young e Koo Kyo-hwan. Sendo um remake do hit chinês “Us and Them”, o filme estreou no último dia de 2025 e já levou mais de 2,5 milhões de pessoas às salas de cinema. Com um custo de apenas 4,5 bilhões de won, a obra atrai o público apostando na densidade emocional, provando que existe um mercado imenso para melodramas bem feitos.

A grande surpresa da temporada, no entanto, atende pelo nome de “Choir of God”. Esse drama musical gravado com um orçamento minúsculo de 1 bilhão de won tem batido de frente nas bilheterias com gigantes internacionais como “Avatar: Fire and Ash”. Mesmo com a complexidade de abordar temas religiosos e ter a Coreia do Norte como pano de fundo, a produção alcançou 1 milhão de espectadores em apenas 37 dias. Atualmente, mantém sua força no top 5 do país, somando mais de 1,2 milhão de ingressos vendidos.

Mudança estratégica na indústria

Fontes internas do mercado local avaliam que o alto desempenho de gêneros tão variados mostra uma mudança clara no comportamento dos espectadores. O público atual está escolhendo a qualidade da obra no lugar da espetacularização. Até mesmo produções de grande escala estão se adaptando a essa realidade. O filme de ação e espionagem “Humint”, por exemplo, custou mais de 23 bilhões de won, mas seguiu essa tendência de focar em uma narrativa tensa e bem construída ao invés de depender exclusivamente da escala visual.

De olho nessa busca por lucratividade e segurança financeira, o mercado já se prepara para a chegada de mais filmes de porte médio. Títulos como “The Journey to Gyeongju” e o longa de ação baseado em webtoon “New Generation War: Reawakened Man” estão a caminho. Para minimizar os riscos dessa nova fase, distribuidoras grandes e pequenas estão unindo forças em parcerias inéditas, construindo estruturas de negócios mais diversas e blindadas contra flutuações.